Lançamento da Campanha de Vacinação Mpox na República Democrática do Congo
Uma campanha começando com atraso
A República Democrática do Congo (RDC) lançou oficialmente a sua campanha de vacinação contra mpox no sábado, após um ligeiro atraso devido a dificuldades logísticas. Inicialmente marcada para quarta-feira, a campanha começou finalmente à tarde em Goma, no leste do país. O lançamento foi marcado pela instalação de tendas e banners informando à população os gestos de barreira, com a mensagem “mpox existe”, um lembrete da presença e gravidade do vírus na região.
Primeiro vacinado: equipe de saúde
A equipe médica do principal hospital de Goma foi a primeira a receber as doses da vacina. Cerca de dez médicos, enfermeiros e outros cuidadores foram imunizados, incluindo a Dra. Jeannine Muhavi, a primeira vacinada. Ela ressaltou a importância da vacinação para se proteger, dado o contato regular com os doentes. A partir de segunda-feira, a campanha será alargada a outras províncias do leste, nomeadamente Kivu do Sul, onde a actual epidemia surgiu há cerca de um ano.
Vacinação direcionada, sem vacinação em massa
O Ministro da Saúde, Samuel-Roger Kamba, esclareceu durante uma conferência de imprensa que a campanha ainda não diz respeito à população em geral. Nesta fase, trata-se de uma vacinação direccionada e não foi definida qualquer data para a sua extensão à capital Kinshasa, onde a rápida propagação do vírus pode representar um risco de contaminação em massa.
Uma epidemia alarmante: mais de 30 mil casos e 990 mortes
Desde o início do ano, a RDC registou mais de 30.000 casos de mpox, causando quase 990 mortes, principalmente entre crianças. Quase 70% das mortes dizem respeito a crianças com menos de cinco anos, segundo as autoridades de saúde. Atualmente, a vacinação só está autorizada para adultos, embora estejam em curso ensaios para permitir a administração a jovens com menos de 17 anos.
Doses insuficientes para combater a epidemia
A RDC recebeu 265 mil doses de vacina oferecidas pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Esta vacina, fabricada pelo laboratório dinamarquês Bavarian Nordic, está aprovada apenas para adultos. No entanto, estas doses são largamente insuficientes para um país de 100 milhões de habitantes, como salientou o Ministro da Saúde. Além disso, são necessárias duas doses para a imunização completa. A RDC também aguarda as 100 mil doses adicionais prometidas pela França e está a discutir com o Japão o fornecimento de três milhões de doses de uma vacina utilizável em crianças.
Medidas Adicionais e Testes de Diagnóstico
Além das vacinas, a RDC espera 4.500 testes de diagnóstico precoce para melhorar a detecção e a gestão rápida dos casos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou um teste PCR capaz de detectar o vírus em lesões cutâneas, o que poderá fortalecer o combate à epidemia.
Conclusão
A campanha de vacinação contra a mpox na RDC representa um passo crucial na luta contra uma epidemia que atinge duramente o país. No entanto, com recursos limitados e acesso restrito às vacinas, o caminho continua longo para conter eficazmente a propagação do vírus. Serão necessários esforços adicionais, incluindo a garantia de novas doses e a expansão dos testes de diagnóstico, para proteger a população, especialmente as crianças, e evitar uma crise sanitária em grande escala.
