Moody’s reduz rating do Senegal para B1 e coloca o país sob vigilância
Um défice orçamental e uma dívida superior ao previsto
A agência de notação Moody’s desceu recentemente a notação do Senegal de BA3 para B1, em resposta a uma situação orçamental e de dívida mais preocupante do que o esperado. Esta revisão surge depois de o governo ter revelado, no final de Setembro, um défice orçamental e uma dívida significativamente superiores aos previstos na administração anterior.
Acusações de corrupção do primeiro-ministro
O primeiro-ministro Ousmane Sonko criticou duramente a antiga administração, acusando-a de corrupção sistemática e falsificação de dados económicos. Ele prometeu abrir investigações para apurar responsabilidades. Segundo Sonko, esta deterioração da notação financeira reflecte uma situação orçamental muito mais frágil do que a anteriormente estimada.
Análise de rebaixamento de rating da Moody’s
Num comunicado de imprensa enviado à AFP, a Moody’s especificou que a descida do rating se deve principalmente a “deficiências significativas na precisão das contas públicas” e a deficiências na gestão orçamental. A agência de classificação também destaca que a elevada dívida do Senegal constitui uma grande restrição ao crédito. Limita a capacidade do país para absorver choques económicos, especialmente num contexto de baixa riqueza e de maior vulnerabilidade a custos de financiamento mais elevados.
Preocupantes Perspectivas Econômicas para 2024
A Moody’s espera que a situação económica do Senegal se deteriore, uma opinião partilhada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Em Setembro, o FMI já tinha manifestado preocupação com a deterioração da posição orçamental do país, ao mesmo tempo que destacava os desafios de crescimento que se avizinham para 2024. O FMI recomendou então “medidas fortes” para corrigir a situação económica.
Reação do Governo Senegalês: Plano de Reformas e Transformação
Perante estas previsões económicas desfavoráveis, o Ministério das Finanças do Senegal reafirmou o seu compromisso de reduzir o défice orçamental a partir de 2025. Num comunicado de imprensa, anunciou uma série de reformas estruturais destinadas a reforçar a gestão das finanças públicas. Além disso, o governo planeia lançar, no dia 7 de Outubro, uma “agenda de transformação nacional” para relançar a economia.
Conclusão
A descida da notação do Senegal pela Moody’s evidencia uma situação económica complexa, marcada por uma má gestão orçamental e um aumento da dívida. O actual governo, ao tomar medidas para reformar o quadro financeiro e lançar um plano de transformação, terá de responder aos desafios colocados por estas novas realidades económicas, a fim de restaurar a confiança dos investidores e estabilizar o crescimento a longo prazo.
