República Centro-Africana: Controvérsia em torno de um projeto de lei sobre “agentes estrangeiros”

República Centro-Africana: Controvérsia em torno de um projeto de lei sobre “agentes estrangeiros”

Um projecto de lei em preparação na República Centro-Africana que visa regular as actividades dos “agentes estrangeiros” está a suscitar preocupações entre as organizações da sociedade civil, as ONG, os meios de comunicação social e os parceiros internacionais. Previsto para ser analisado no parlamento esta sexta-feira, o texto foi finalmente devolvido ao governo pela Comissão da Assembleia Nacional para “informações adicionais”, conforme indicaram esta quinta-feira fontes em Bangui.

Uma definição ampla e requisitos vinculativos

A versão provisória do texto designa como “agentes estrangeiros” pessoas ou organizações, centro-africanas ou estrangeiras, que beneficiam de “apoio ou assistência” de origem estrangeira. As actividades políticas, a recolha de informações militares e técnicas e a disseminação de mensagens descritas como “insurreccionais” são visadas. O projecto de lei também exige que estes agentes se registem junto das autoridades e forneçam um relatório contabilístico semestralmente, bem como detalhes dos seus programas e actividades mediáticas.

Oposição da sociedade civil e preocupação internacional

Este texto, percebido como liberticida por parte da população, gerou uma mobilização significativa: 44 associações nacionais assinaram uma petição exigindo a sua retirada, apresentada quinta-feira à Assembleia Nacional pela Rede de Organizações da Sociedade Civil para a Governação e o Desenvolvimento (ROSCA-GD). Moïse Adoumbaye, representante da ROSCA-GD, alertou para os efeitos restritivos deste projeto de lei, destacando os riscos para as liberdades civis e a cooperação internacional.

Protegendo a soberania nacional, um argumento governamental

Confrontado com críticas, o porta-voz do governo, Maxime Balalou, justificou o projecto pela necessidade de proteger o país contra alegadas “infiltrações”, particularmente dentro de ONG. Mencionou a possível presença de ex-militares em determinadas organizações e esclareceu que “o texto ainda não está finalizado”.

Conclusão

Este projecto de lei sobre “agentes estrangeiros” ilustra um dilema para a República Centro-Africana: proteger a sua soberania nacional, mantendo ao mesmo tempo a cooperação com parceiros internacionais essenciais para o seu desenvolvimento. A decisão final poderá afectar o apoio económico e humanitário ao país, ao mesmo tempo que marcará potencialmente um ponto de viragem para os direitos civis e a liberdade de expressão.

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