Ruanda planeja legalizar a contracepção a partir dos 15 anos

Ruanda planeja legalizar a contracepção a partir dos 15 anos

Um projeto de lei para combater a gravidez precoce

Confrontado com o aumento da gravidez na adolescência, o Ministro da Saúde do Ruanda apresentou um projecto de lei que permitiria às raparigas adolescentes com 15 anos ou mais o acesso a serviços de saúde reprodutiva, incluindo contracepção. Esta iniciativa visa prevenir a gravidez indesejada entre as jovens.

Uma lei em debate num contexto conservador

A nova “lei que regula os serviços de saúde” foi apresentada terça-feira ao Parlamento e deverá ser analisada nos próximos dias. No entanto, o projecto corre o risco de suscitar oposição, sendo o Ruanda um país predominantemente conservador.

Justificativas do Ministro da Saúde

O Ministro da Saúde, Sabin Nsanzimana, sublinhou aos deputados que a falta de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva é uma das principais causas da elevada taxa de gravidezes indesejadas. Segundo ele, a legislação actual limita os direitos das raparigas adolescentes em questões de saúde reprodutiva, sendo a maioridade sexual fixada nos 18 anos no Ruanda.

Apoio de ONGs e debate sobre os direitos das meninas adolescentes

O projeto de lei conta com o apoio de diversas ONGs, incluindo a Iniciativa de Desenvolvimento da Saúde, que contribuiu para a sua elaboração. Segundo Aflodis Kagaba, director da ONG, é crucial proteger os jovens, que são sexualmente activos, oferecendo-lhes meios de contracepção. No entanto, recorda que o Parlamento rejeitou uma iniciativa semelhante em 2022.

Oposição à lei

Alguns deputados, como Christine Mukabinani do PS Imberakuri, opõem-se fortemente a este projecto, acreditando que aos 15 anos os adolescentes ainda são crianças e correm o risco de serem explorados se tal lei for aprovada.

Um aumento nas gravidezes precoces em Ruanda

Segundo o Ministério da Saúde, as gestações precoces estão aumentando: entre janeiro e junho de 2024, foram registrados mais de 10 mil casos de gravidez precoce . No Ruanda, o aborto só é legal em certos casos específicos, como violação, incesto ou casamento forçado.

Conclusão

O projecto de lei ruandês que visa autorizar a contracepção para raparigas de 15 anos reflecte um problema urgente de saúde pública no país. Embora controverso, este projecto poderia oferecer meios de prevenção adaptados às raparigas e limitar as consequências da gravidez precoce. Resta saber se o Parlamento ruandês aceitará esta mudança face à resistência cultural e social.

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