Manifestantes presos em Acra após protestos contra o alto custo de vida e a mineração ilegal
Contexto dos Protestos em Acra
No domingo, a polícia ganesa prendeu 42 manifestantes em Acra, a capital, depois de eclodirem confrontos durante protestos contra o elevado custo de vida e a má gestão da mineração ilegal por parte do governo. Esses protestos estavam programados para continuar na segunda-feira.
Crise Económica e Situação Política no Gana
Desde 2022, o Gana, um dos maiores produtores de ouro e cacau do mundo, enfrenta uma grave crise económica. Esta crise levou o país ao incumprimento da sua dívida externa. Contudo, observa-se uma descida da inflação, atingindo 20,4% em agosto de 2023, após um pico de 54% em dezembro de 2022.
As eleições presidenciais de 7 de dezembro de 2023 prometem ser tensas. Entre os candidatos na disputa estão o ex-presidente John Mahama do Congresso Democrático Nacional (NDC) e o atual vice-presidente Mahamudu Bawumia do Novo Partido Patriótico (NPP). O país, que tem 33 milhões de habitantes, beneficia de um plano de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 3 mil milhões de dólares, o que acentua as tensões políticas no período que antecede as eleições.
Detalhes de prisões e reações
Segundo os jornalistas presentes, várias centenas de manifestantes, principalmente jovens, marcharam cantando canções patrióticas e segurando cartazes denunciando a destruição ambiental causada pela mineração ilegal e pela má gestão económica do país.
A porta-voz da polícia, Grace Ansah-Akrofi, disse que os manifestantes se reuniram ilegalmente e atacaram policiais no cumprimento do dever. Ela acrescentou que os manifestantes presos serão processados por obstrução do trânsito, destruição de propriedades e desordem pública.
Em resposta, o grupo Democracy Hub, organizador dos protestos, criticou a intervenção policial, considerando injustificado o uso da força. Apelaram ao diálogo entre autoridades e manifestantes para garantir a proteção dos direitos e a segurança de todos os participantes.
Conclusão
Os protestos em Acra reflectem a crescente frustração com a gestão económica do país, exacerbada pela actual crise económica e pelas tensões políticas antes das eleições. O diálogo entre as autoridades e os manifestantes será crucial para aliviar as tensões e garantir uma transição democrática pacífica em Dezembro.
