Prisão de líderes da oposição na Tanzânia: uma repressão em plena luz
A situação política na Tanzânia agravou-se na segunda-feira com a detenção de dois líderes do principal partido da oposição, Chadema, durante uma manifestação organizada contra os desaparecimentos forçados de activistas, apesar de uma proibição imposta pelas autoridades.
As razões da manifestação
A manifestação, planeada para as ruas de Dar es Salaam, foi desencadeada pelo rapto e assassinato de Ali Mohamed Kibao, um funcionário do partido Chadema, que foi encontrado morto no dia 7 de Setembro depois de ter sido raptado por homens armados. Este incidente exacerbou as tensões entre o governo e a oposição, com Chadema a denunciar uma campanha sistemática de repressão contra os seus membros.
A reação da polícia
A polícia tanzaniana, já em alerta, enviou forças anti-motim pela cidade de Dar es Salaam no fim de semana anterior, equipadas com canhões de água e outros dispositivos de controlo de multidões, para evitar quaisquer aglomerações de massa. Os manifestantes foram desencorajados de sair às ruas sob ameaça de repressão violenta.
O presidente do Chadema, Freeman Mbowe, foi preso enquanto realizava uma conferência de imprensa em Magomeni, um dos pontos de encontro planeados para o protesto. Num vídeo publicado pelo partido nas redes sociais, vemos-no denunciar a resposta excessiva das autoridades:
“Protestar é o nosso direito constitucional, mas surpreendemo-nos com a extensão da força utilizada pela polícia para ameaçar as pessoas e suprimir a nossa liberdade. . »
Ele foi então levado pela polícia diante das câmeras, simbolizando o que muitos consideram um retorno às práticas autoritárias na Tanzânia.
A prisão de Tundu Lissu e outras figuras da oposição
O vice-presidente de Chadema, Tundu Lissu, uma figura proeminente na política tanzaniana, também foi preso na segunda-feira. Lissu regressou à Tanzânia em Janeiro de 2023, depois de passar mais de cinco anos no exílio na Bélgica, na sequência de uma tentativa de assassinato em 2017. A sua residência nos subúrbios de Dar es Salaam tinha sido cercada pela polícia antes da sua prisão.
Lissu, muito crítico do governo, anunciou o seu regresso ao país depois de o presidente Samia Suluhu Hassan ter levantado a proibição de reuniões políticas imposta durante o reinado do seu antecessor, John Magufuli. Contudo, a prisão de Lissu e Mbowe marca um regresso às tensões políticas e põe em causa a promessa de reformas democráticas.
O Contexto Político e as Próximas Eleições
O clima político tornou-se tenso no período que antecedeu as eleições locais marcadas para Novembro de 2024, seguidas das eleições presidenciais e legislativas do próximo ano. Chadema acusa o Presidente Hassan de regressar às práticas autoritárias de Magufuli, apesar das esperanças de uma abertura democrática após chegar ao poder em Março de 2021.
A proibição de manifestações, a repressão de membros da oposição e as detenções dos seus líderes intensificaram os receios de regressão política.
Reação Internacional e Efeitos na Democracia
A crescente repressão na Tanzânia atraiu a atenção da comunidade internacional, que observa de perto a situação dos direitos humanos no país. Grupos de direitos humanos e observadores internacionais expressaram preocupação com o futuro da democracia na Tanzânia sob a presidência de Hassan, criticando o uso das forças de segurança para amordaçar a oposição.
O regresso das práticas autoritárias, aliado à repressão brutal de manifestações pacíficas, poderá ter repercussões na reputação do país e na realização de eleições livres e transparentes nos próximos meses. Samia Suluhu Hassan, que conquistou o favor de parte da população e da comunidade internacional através das suas primeiras medidas de abertura, vê agora o seu mandato manchado por uma repressão crescente.
