Orano suspende a sua produção de urânio no Níger face a bloqueios persistentes
A deterioração da situação financeira e logística
O especialista francês em urânio Orano anunciou a suspensão da sua produção de concentrado de urânio no Níger a partir de 31 de outubro de 2024. Esta decisão resulta das crescentes dificuldades financeiras encontradas pela Somaïr, sua subsidiária local, bem como da impossibilidade de exportar o minério devido a bloqueios logísticos. Com sede na região de Arlit, a Somaïr, detida em 63,4% pela Orano, foi forçada a interromper as suas atividades, apesar dos esforços para obter autorizações de exportação por parte do regime militar no poder desde julho de 2023.
Um regime militar relutante e fronteiras fechadas
Desde que o regime militar do Níger assumiu o poder, as relações com empresas estrangeiras, especialmente no sector das matérias-primas, tornaram-se tensas. O governo do Níger manifestou recentemente a sua intenção de rever o sistema de exploração dos recursos naturais por empresas estrangeiras. Em setembro, chegou a ser criada uma empresa estatal dedicada ao urânio, mas sem dar detalhes sobre seu futuro papel. Permanecendo fechadas as fronteiras com o Benim, Orano não conseguiu encontrar uma alternativa para exportar o seu urânio, tendo falhado mesmo as propostas de transporte aéreo através da Namíbia.
Um grande impacto no emprego e na produção de urânio
Apesar da cessação da produção, Orano garantiu que a manutenção do local continuaria e que os 780 funcionários e subcontratados, principalmente nigerianos, permaneceriam remunerados até ao final de 2024. Quase 1.050 toneladas de urânio concentrado estão atualmente bloqueadas no local, representando um valor de mercado estimado em 300 milhões de euros. Estas existências, que correspondem a cerca de metade da produção anual, ainda não podem ser exportadas.
Consequências financeiras para Orano
As dificuldades no Níger afetaram fortemente os resultados financeiros da Orano, com um prejuízo de 133 milhões de euros registado no primeiro semestre de 2024, em grande parte devido a provisões relacionadas com as suas operações mineiras no Níger. Inclui a amortização de 69 milhões de euros após a perda da licença de exploração da jazida de Imouraren, e 105 milhões de euros ligados ao património da Somaïr. Apesar de tudo, Orano quer ter a certeza da continuidade do fornecimento aos seus clientes, graças à diversificação das suas fontes, nomeadamente no Canadá e no Cazaquistão.
Conclusão: Uma suspensão inevitável num contexto de crise política e económica
Confrontada com obstáculos financeiros e logísticos intransponíveis, Orano não teve outra escolha senão suspender a sua produção de urânio no Níger. Esta situação evidencia as tensões entre o regime militar nigerino e as empresas estrangeiras, ao mesmo tempo que tem grandes repercussões na economia local e na atividade de Orano. No entanto, o grupo está a tentar garantir o seu abastecimento através das suas outras instalações no estrangeiro, num contexto incerto para o futuro das suas operações no Níger.
