Divergências dentro do governo sul-africano sobre as relações com a Rússia
Aliança Democrática opõe-se às posições pró-Rússia de Ramaphosa
A Aliança Democrática (AD), o antigo partido da oposição da África do Sul e agora o principal parceiro do ANC no governo de coligação, distanciou-se dos comentários recentes do Presidente Cyril Ramaphosa sobre a Rússia. Enquanto Ramaphosa chamou a Rússia de “querido aliado” e “amigo valioso” durante uma reunião com Vladimir Putin à margem de uma cimeira do BRICS em Kazan, o líder da DA, John Steenhuisen, deixou claro que o seu partido “não considera a Rússia ou Vladimir Putin como um aliado”.
Tensões crescentes sobre a política externa e a governação
As diferenças entre a AD e o ANC não se limitam à política externa. Desentendimentos internos, especialmente sobre questões como o ensino da língua africâner em certas escolas e a gestão do Ministro da Justiça, Thembi Simelane, já estão a enfraquecer a estabilidade da coligação. A Procuradoria manifestou o seu desacordo com os comentários de Ramaphosa, sublinhando que não poderia apoiar a ideia de uma aliança com um regime autoritário acusado de violações do direito internacional, em referência à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Ramaphosa defende seus laços com a Rússia
Apesar das críticas dos seus parceiros de coligação, Cyril Ramaphosa manteve a sua posição pró-Rússia. Durante o seu encontro com Putin, sublinhou a importância das discussões entre os membros do BRICS sobre “questões geopolíticas”, bem como temas económicos como comércio, alterações climáticas, paz e segurança.
Conclusão: Diferenças políticas que ameaçam a unidade governamental
As tensões sobre as relações com a Rússia revelam divisões mais profundas dentro do governo sul-africano, particularmente entre o ANC e o seu parceiro, a Aliança Democrática. Estas divergências, somadas a outras disputas sobre questões internas, correm o risco de enfraquecer a coesão da coligação, pondo em causa a sustentabilidade desta parceria política nos próximos meses.
