Lançamento da vacinação contra mpox em Goma: uma resposta urgente a uma crise de saúde

Lançamento da vacinação contra mpox em Goma: uma resposta urgente a uma crise de saúde

Início da campanha de vacinação na RDC

A República Democrática do Congo (RDC), no centro da epidemia de mpox (anteriormente chamada de varíola dos macacos), inicia a sua primeira campanha de vacinação este sábado, 5 de outubro, em Goma, capital da província do Kivu do Norte. O anúncio foi feito sexta-feira por Samuel-Roger Kamba, Ministro da Saúde congolês, durante uma conferência de imprensa em Kinshasa.

Inicialmente prevista para começar na quarta-feira, a vacinação foi adiada devido a dificuldades logísticas ligadas à entrega das doses neste país com infraestrutura limitada. “Lançamos a campanha de vacinação a partir de amanhã”, declarou o ministro, sublinhando a importância desta iniciativa face a uma epidemia que já afecta milhares de pessoas na região.

Uma grave epidemia no leste da RDC

O vírus mpox é particularmente abundante no leste do país, particularmente no Kivu do Norte. Desde o início do ano, a RDC registou mais de 30.000 casos de mpox e quase 990 mortes. A maioria das vítimas são crianças menores de cinco anos, que representam quase 70% das mortes, segundo o ministro Kamba. No entanto, a vacinação, nesta fase inicial, será administrada apenas a adultos, com prioridade para profissionais de saúde, pessoas em contacto com pacientes e populações mais expostas ao vírus.

Vacinação limitada a adultos e desafios logísticos

Para esta campanha, a RDC recebeu 265 mil doses da vacina produzida pelo laboratório dinamarquês Bavarian Nordic, fornecidas pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Esta vacina destina-se apenas a adultos. No entanto, estão em curso discussões com o Japão para obter outra vacina adequada para crianças. “As necessidades são muito maiores”, lembrou Kamba, sublinhando que a vacinação em massa continua impossível de momento com as doses disponíveis.

O ministro anunciou ainda que o país espera um segundo lote de 100 mil doses adicionais da França, além de três milhões de doses prometidas pelo Japão. Esta vacinação é um primeiro passo, mas é evidente que os recursos actuais são insuficientes para cobrir as necessidades de um país de 100 milhões de habitantes.

Ferramentas de diagnóstico e estratégia geral

Paralelamente à vacinação, a RDC planeia reforçar as capacidades de diagnóstico com a chegada de 4.500 testes que permitem a detecção precoce do vírus. Esses testes PCR, validados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), permitirão analisar o DNA do vírus a partir de lesões cutâneas. A OMS destacou também a gravidade da situação em África, com vários surtos em curso em dezasseis países do continente, o que levou a agência a activar o seu nível de alerta global mais elevado em Agosto.

Conclusão: Uma vacinação essencial, mas insuficiente

O lançamento da campanha de vacinação em Goma marca um ponto de viragem na luta contra a mpox na RDC, mas os desafios continuam enormes. Com recursos limitados, tanto em vacinas como em infra-estruturas, a resposta continua a ser insuficiente neste momento, dada a escala da epidemia. As autoridades congolesas e os seus parceiros internacionais devem intensificar rapidamente os seus esforços para vacinar as populações em risco e reforçar as capacidades de diagnóstico, a fim de retardar a progressão do vírus. A população, por sua vez, espera que estas primeiras ações ajudem a aliviar as regiões mais afetadas e a proteger as crianças, que são particularmente vulneráveis ​​a esta epidemia.

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