Gabão: O povo gabonês vota massivamente por uma nova Constituição
Uma elevada taxa de participação para um “dia histórico”
Este sábado, 16 de novembro de 2024, os Gaboneses participaram num referendo que visava a adoção de uma nova Constituição, elaborada sob a autoridade do regime militar liderado pelo General Brice Oligui Nguema. Segundo números divulgados pelo canal público Gabão 24, a taxa de participação atingiu “mais de 70%”, tornando este dia um momento descrito como “histórico” pelas autoridades.
O Ministério do Interior indicou que a participação ultrapassou os 71%, enquanto os primeiros resultados das mesas de voto no estrangeiro mostram uma clara vantagem para o “sim”, um símbolo de apoio ao projecto constitucional. Este texto, segundo os seus apoiantes, deverá permitir ao país virar a página da era Bongo e abrir uma nova era política.
Processo de votação
Todas as 2.835 assembleias de voto abriram às 7h, embora algumas tenham sofrido atrasos. Encerraram às 18 horas, seguindo-se de imediato a contagem e centralização dos resultados no Ministério do Interior, responsável pela supervisão do processo.
Os opositores ao projecto denunciam uma Constituição alegadamente feita à medida do General Oligui Nguema, criticando o seu potencial para consolidar ainda mais o poder do regime militar. Por outro lado, os defensores do texto defendem a ideia de um passo crucial para estabilizar o país e preparar o seu regresso à ordem democrática.
Resultados esperados e próximo passo
O Ministério do Interior garantiu que os resultados provisórios serão publicados “o mais rapidamente possível”, embora ainda não tenha sido comunicada uma data precisa. Se o texto for aprovado, permitirá a realização de eleições presidenciais marcadas para agosto de 2025, marcando o fim da transição militar iniciada após o golpe de Estado de 2023, que pôs fim a 55 anos de governo da dinastia Bongo.
Conclusão: Um passo decisivo para o futuro do Gabão
Este referendo representa um ponto de viragem para o Gabão, uma oportunidade para o país se redefinir politicamente após décadas de governação dinástica. Se o voto “sim” prevalecer, abrirá caminho a uma transição mais formal para as instituições democráticas, embora subsistam desafios significativos para restaurar a plena estabilidade política e económica.
