Bibiro Ali Taher denuncia as disfunções do esporte chadiano

Bibiro Ali Taher denuncia as disfunções do esporte chadiano

Em 4 de março de 2024, o maratonista chadiano Bibiro Ali Taher expressou publicamente sua insatisfação por meio de uma longa publicação em suas redes sociais. Ela denunciou a desonestidade de pessoas que, segundo ela, atrapalham o desenvolvimento do esporte chadiano e prejudicam a vida dos atletas. Bibiro, recordista nacional da maratona (2:50:59), afirmou nunca ter recebido os equipamentos, taxas ou bônus a que tinha direito, nem mesmo o reembolso da passagem aérea para as Olimpíadas do Rio em 2016. onde ela ainda carregava a bandeira do Chade.

Conflitos com Órgãos Desportivos

Convidado por vários meios de comunicação chadianos e internacionais, Bibiro continuou a denunciar o Comité Olímpico e Desportivo do Chade (COST), bem como a Federação de Atletismo (FTA), criticando a sua falta de apoio. “Eu carregava cargas pesadas sozinho. Meu coração está mentalmente partido”, disse ela, rejeitando as acusações da COST que minimizavam suas afirmações. Segundo ela, estes ataques pessoais procuram desviar a atenção do verdadeiro problema, nomeadamente os direitos dos atletas chadianos.

Um Apelo ao Presidente da República

Para amplificar a sua luta, Bibiro escreveu uma carta oficial ao Presidente da República, Mahamat Déby. Em resposta, o gabinete presidencial ordenou uma investigação liderada pelo Ministro dos Desportos, Abakar Djarma. Este último, antigo presidente da COST, é uma figura controversa, sobretudo pelas suas divergências com o seu sucessor, o general Idriss Dokony, que também presidiu ao Comité Olímpico entre 2013 e 2017.

Depoimentos de atletas e falta de apoio

Hallas Maria, campeã africana de tiro com arco por equipes mistas em 2023, também falou sobre a falta de apoio aos atletas chadianos, principalmente às mulheres. Ela denunciou o fato de os recursos e equipamentos disponibilizados pela Solidariedade Olímpica e pelo Tiro com Arco Mundial não chegarem aos atletas. Ao contrário do seu homólogo masculino, Israel Madaye, que beneficiou de uma bolsa de estudos de três anos, Hallas não recebeu qualquer assistência semelhante, apesar das suas atuações.

Dificuldades e condições indignas

O treino dos arqueiros chadianos realiza-se em condições rudimentares, muitas vezes em locais inadequados, como o liceu Félix Éboué, em N’Djamena, onde eles próprios fazem os seus alvos. A gestão do tiro com arco, tal como outros desportos, é marcada por uma flagrante falta de recursos e apoio por parte dos órgãos sociais.

Pressão e Intimidação

Neste clima de tensão, vários atletas, como Mahamat Reouhidi, denunciam práticas repressivas. Reouhidi conta como a Federação de Atletismo excluiu os atletas chadianos que viviam nos Camarões do Campeonato Africano de 2024, chamando-os de “rebeldes”. » Este clima de medo e intimidação leva alguns atletas ao exílio para continuarem a praticar a sua disciplina.

Bibiro Ali Taher e a União dos Direitos Esportivos do Chade

Diante dessas injustiças, Bibiro fundou um coletivo, a União dos Direitos Desportivos do Chade, reunindo atletas de diferentes modalidades. Juntos, querem denunciar a falta de apoio e as práticas abusivas dentro dos órgãos desportivos do país. “Estamos cansados ​​de ser explorados”, afirma Bibiro, destacando o impacto psicológico dessas situações em muitos atletas.

Um sistema esportivo fracassado

As críticas contra os líderes desportivos do Chade continuam a acumular-se. O general Idriss Dokony, presidente da COST, é acusado de priorizar a sua própria glória em vez do bem-estar dos atletas, com uma gestão opaca dos fundos atribuídos pelo Comité Olímpico Internacional (COI). Apesar disso, a situação permanece inalterada para os atletas que continuam a lutar pelos seus direitos.

Em última análise, Bibiro Ali Taher e os seus colegas esperam que as suas ações criem um ambiente melhor para as futuras gerações de atletas chadianos, com apoio adequado e condições de competição dignas.

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