A aquicultura camaronesa enfrenta uma crise estrutural: entre a falta de financiamento e as iniciativas locais em busca de apoio

A aquicultura camaronesa enfrenta uma crise estrutural: entre a falta de financiamento e as iniciativas locais em busca de apoio

Um setor promissor, mas subfinanciado

Nos Camarões, a aquicultura representa um sector que proporciona empregos e oportunidades económicas. No entanto, continua a enfrentar numerosos desafios estruturais, principalmente ligados à falta de financiamento e à fraca difusão das inovações locais. Esta situação dificulta a expansão das unidades de produção e a satisfação da crescente procura de pescado no país.

Souleymanou Houda, piscicultor de Maroua, no Extremo Norte, ilustra estas dificuldades. Com sua associação, ela produz ração local para peixes a partir de produtos como bagre defumado e seco, além de tilápia. Mas, apesar dos seus esforços, a falta de apoio financeiro e a insuficiência de infra-estruturas limitam a sua capacidade de satisfazer o mercado.

“Gostaríamos de ampliar nossas unidades produtivas e ter uma fábrica de alimentos. Os alimentos importados são muito caros. Aprendemos, portanto, a produzir os nossos próprios alimentos, mas estes continuam a ser insuficientes para satisfazer a procura”, explica.

Insumos disponíveis, mas produção limitada

No Extremo Norte, teoricamente estão disponíveis insumos locais como farinha de amendoim, soja, caroço de algodão, farinha de mandioca, milho e óleo de palma. No entanto, a sua produção industrial continua dificultada pela falta de capital.

Blo Oumarou, presidente da Organização Interprofissional para o Desenvolvimento da Aquicultura nos Camarões (ODIAC), lamenta a falta de financiamento.

“Somos deixados à nossa própria sorte. Nenhum piscicultor aqui recebeu financiamento. Se tivéssemos um apoio comparável ao de outras regiões, poderíamos enfrentar o desafio”, afirma.

Empresas em dificuldade

Atores como Willy Deutia, promotor da Mungo Fish Farm, produzem 35 toneladas de peixe todos os meses há três anos. No entanto, a falta de insumos locais impacta diretamente a sua atividade.

“Estamos seriamente carentes de insumos. Se a produção local de milho ou trigo aumentasse, ajudaria enormemente a estabilizar a nossa cadeia produtiva”, explica.

Soluções inovadoras propostas por pesquisadores

Confrontados com estes desafios, os especialistas locais oferecem soluções inovadoras. Ivanes Jenny Sogui, engenheiro agrônomo, destaca a integração da aquicultura e da agricultura através de um sistema ecológico que otimiza recursos.

“Projetamos um mecanismo para converter nitratos de resíduos de peixes em nutrientes para plantas. Isto reduz a poluição e simultaneamente melhora a produção agrícola”, explica.

Uma lei pendente para revitalizar o setor

O governo camaronês adoptou uma nova lei que visa impulsionar a aquicultura e estruturar o sector. Estes regulamentos devem promover o acesso ao financiamento, apoiar as pequenas empresas e incentivar a utilização de tecnologias sustentáveis.

Conclusão: uma oportunidade para aproveitar

A aquicultura nos Camarões, apesar dos desafios actuais, oferece um enorme potencial para satisfazer as necessidades alimentares e criar empregos. O aumento do investimento em insumos, a melhor difusão das inovações e a implementação eficaz da nova legislação poderão transformar este sector num pilar da economia nacional.

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